O Brasil tem consolidado sua posição como um dos grandes exportadores de produtos agropecuários, e o setor de nozes e castanhas segue essa tendência. Com mercados como China, Tailândia, Estados Unidos e União Europeia abertos para nozes e castanhas, os produtores brasileiros enfrentam tanto desafios quanto oportunidades para ampliar sua presença global. Esse tema foi debatido por Augusto Billi, Auditor Fiscal Federal Agropecuário do MAPA, durante reunião da ABNC, no final de fevereiro.
Abertura de mercados e barreiras comerciais
De acordo com Billi, nos últimos anos, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) tem trabalhado para negociar a abertura de novos mercados para as nozes e castanhas brasileiras. Um exemplo foi a recente autorização para exportação de noz-pecã para a China, um dos maiores consumidores mundiais deste produto. Além disso, o MAPA já abriu 332 mercados para diferentes produtos agropecuários, fortalecendo a competitividade do Brasil no setor.
Contudo, os produtores ainda enfrentam barreiras tarifárias e não tarifárias, como certificações sanitárias rigorosas e exigências fitossanitárias. Billi explicou que muitos países utilizam essas medidas como forma de protecionismo, dificultando a entrada de produtos brasileiros. A busca por acordos comerciais que reduzam essas barreiras é essencial para ampliar as exportações.
Desafios tarifários e estratégias para competitividade
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos exportadores de nozes e castanhas é a carga tarifária imposta por alguns mercados. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Brasil paga uma tarifa de US$ 0,05 por quilo de macadâmia in natura, enquanto países africanos têm isenção por meio de acordos comerciais. Já para a macadâmia processada, a tarifa chega a 18%, impactando a competitividade do produto brasileiro.
Uma alternativa discutida pelo setor é a negociação de novos acordos bilaterais ou regionais, especialmente no âmbito do Mercosul. Além disso, a busca por reconhecimento do Brasil em programas de preferência tarifária pode facilitar o acesso a mercados estratégicos.
Oportunidades e crescimento do setor
Apesar dos desafios, o mercado internacional para nozes e castanhas segue aquecido. O consumo global desses produtos tem crescido devido à tendência de alimentação saudável, abrindo espaço para que o Brasil amplie suas exportações. A participação em feiras internacionais e a aproximação com compradores estrangeiros têm sido estratégias fundamentais para expandir as vendas.
Para manter a competitividade, é essencial que os produtores invistam em certificações de qualidade e sustentabilidade, agregando valor aos produtos e atendendo às exigências dos mercados de alto padrão. A consolidação do Passaporte Agro, iniciativa do MAPA, também promete facilitar o acesso a informações cruciais para os exportadores, auxiliando na tomada de decisão.
Billi afirmou que, com planejamento e estratégia, o Brasil tem potencial para aumentar sua participação no mercado global de nozes e castanhas, gerando mais oportunidades para o setor e fortalecendo sua economia.